Banana dos deuses...



Hoje, a bendita Benedita foi à feira,
voltou com o carrinho vazio
e meia dúzia de bananas nanicas
embrulhadas em jornal velho...
Quando entrou na cozinha,
começou a ladainha,
Benedita suava
e reclamava do Zécão,
ficou com palpitações
e passando mal,
quase sem ar...
Com muito tato e carinho,
consegui da Benedita
contar o que aconteceu,
limpando os olhos no avental,
ela contou que foi ultrajada
e para meu espanto,
enquanto eu comia uma banana,
a Benedita ajeitando os fartos seios
e com uma cara de sacana,
começou a rir do meu susto...
Rindo e falando da feira,
contou do acontecido,
depois de pesquisar os preços,
parou na barraca do Zécão,
um mulato de braços fortes
e de um sorriso sedutor,
sempre com a mão
a testemunhar do documento,
o gostosão falou:


- A madama gostou da banana?
- O preço é um cheiro.


Benedita que estava pensando na receita,
disse sem pensar:


- Tem que cortar pela metade e leva dois ovos!
- Tem cheiro de canela?
- A tigela é pequena!


O Zécão ficou embaraçado, mas,
sem tirar a mão cheia da má intenção,
foi se chegando,
Benedita ficou indignada
e sem tirar os olhos da mão cheia,
disse que estava pensando em uma receita,
desconversando o mulato gostoso,
pediu meia dúzia de bananas nanicas,
escolhidas a dedo,
olhando os dedos e a mão ocupada
em embrulhar as bananas no jornal,
sentindo os lábio molhados,
as pernas tremerem no desejo,
sorriu ao receber o pacote
e veio embora, sem pagar ao Zécão.
Eu entendendo tudo.
Desconversei, e pensei na receita:

Ingredientes:

1 colher (sopa) de margarina

5 bananas nanicas grandes cortadas ao meio

2 ovos (gemas e claras separadas)

2 colheres (chá) de canela em pó 5 ½ colheres (sopa) de açúcar

Com a ajuda da Benedita,já recomposta
e rindo muito do nome da receita,
cortei as bananas ao meio fui passando para a Benedita
que fritava na margarina, e viajava nos braços do Zécão.
Enquanto colocava as metades no refratário pequeno,
lembrei da tigela pequena
e fui misturando as gemas com a canela
e uma colher e meia de açúcar,
despejei a mistura na banana frita
e reservei para adicionar o suspiro,
Benedita suspirava e ligava a batedeira
para bater as claras pensando no escuro,
quando chegou em ponto de neve,
adicionamos o açúcar restante
até obter o ponto de suspiro,
peguei do jornal velho para acender o forno,
o acendedor está pifado,
Benedita deu um grito:
- Não ponha fogo no jornal!
E com a cara mais sacana do mundo,
cortou o pedaço com o telefone do Zécão.
Depois que pude acender o forno,
terminei de cobrir a banana com suspiro
e coloquei no forno para dourar em fogo baixo por dez minutos...
Olhei para a pia e a mesa, uma bagunça só!
E a Benedita?
Telefonou,e saiu para namorar.
E, eu???
Estou te esperando com a Banana dos deuses!!!

Ramoore

 

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