Espaguete à Napolitana




Acordei ouvindo Rita Pavonne dando marteladas
Em alto volume o som enchia o ar de pancadas
Minha cabeça virou um tormento de impropérios
Olhando para o lado esquerdo da cama desfeita
Procurei de sua presença nua no espelho do teto
Esqueci das marteladas e com as mãos quentes
Encontrei de seus seios no anseio da manhã
Seus olhos sorrindo no bom dia da boa noite
Pediam olhares do vem cá para meu colo
Eu que não sou de negar carinhos...


Tentei correr das mãos em seu corpo tão meu
Mas o maldito som voltou mais alto e claro
Tirando do tesão minha atenção cabisbaixa
Sem disfarçar a incredulidade você estimula
Procuro responder ao afeto em tato ao desafeto
Só consigo dizer em meio italiano frustrado:


- Per carità!
- Per amore del cielo!
- Io voglio amarti...
- Ma questo maledetto martello!


Você faz beicinho em charme choroso
E com a mais pura das intenções:


- Está certo, não precisa apelar!
- Olhe, vai ser a última tentativa!
- Mas, se o maldito martelo não funcionar!
- A culpa não é minha...


Caio da cama de tanto rir e vou ao banheiro
Você com cara de espanto fica resmungando:


- Ah! Esses homens e seus atributos!
- Cada um chama de um nome...
- Parceiro... fiel companheiro de tantas jornadas...
- Mas, de martelo? É o primeiro que ouço chamar!


Depois de um bom chuveiro fico em ponto de bala
O som parou deixando no ar um gostinho de volta
E volto nu em pelo de combate pronto para você
Olho sem acreditar de sua partida deixou marcas
Na cama esquecida no vermelho das rendas pretas
A prenda de uma manhã de sol italiano...


O bilhete em mal traçadas linhas dizia apenas:


-Não sou prego!
- Quando quiser martelar, procure uma parede!


Desci as escada rindo das curvas perdidas no amanhecer
Em meio ao som que agora descubro vir da cozinha
Encontro a bendita Benedita toda suada em requebros
Entro no ritmo torturante e meio alucinante tiro sarro
A bendita Benedita sente a pressão e com deboche diz:


- Calma, meu dengo!
- Guarde seu tesão amanhecido!
- Respeito é bom e eu gosto!
- Pensei que você estava acompanhado?
- Ou será que pensa que eu sou de usar rescaldo?
- Olhe! Que foi que você não fez para a moça?
- Ela saiu pisando duro e bateu a porta!
- Parecia estranha!
- Falava alto!
- Não entendi nada!
- Dizia não ter culpa de você não saber martelar.
- Por acaso vocês quebraram a cama?


Eu sentindo estar em falta de um colo de silêncio
Fiz cara de anjo sentando no chão
Pedi para desligar o maldito som
E cabeça nas coxas roliças
Fiquei no abraço dos fartos seios...


A bendita Benedita, falou baixinho:

Fiz seu prato favorito,
Espaguete à Napolitana!


Ramoore



Receita

Espaguete à Napolitana
Ingredientes:
- 2 colheres (de sopa) de óleo
- 2 a 3 tomates muito maduros
- 300g de bacon
- 100g de carne picada
- 2 pimentões vermelhos
- 1 cebola (picada)
- 3 dentes de alho (picado)
- sal e pimenta q.b.
- ervas aromáticas, orégano (facultativo)
- mussarela (picada)


Modo de preparar:
Corte o bacon e os pimentões em quadradinhos.
Numa frigideira, esquente o óleo,
acrescente o bacon e a carne picada.
Tempere com sal e pimenta e frite.
Reserve.
Frite os pimentões.
Refogue a cebola com o alho,
acrescente os tomates cortados e sal e cozinhe-os.
Passe pelo triturador e coe.
Volte com a pasta ao fogo, juntando o bacon,
a carne picada, o pimentão, as ervas aromáticas e o orégano.
Deixe apurar um pouco e tire do fogo.

Cozinhe o espaguete em bastante água e sal durante 8 minutos,
escorra e ponha um pouco de manteiga.
Num prato grande, ponha a massa,
misture o molho e sirva com o queijo ralado por cima.

 

Receita do Site de Irene Serra ( Boca Boa )
 

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