Hortelã Pimenta





Trocando nas palavras o não ter entendido das palavras
Amanhecidas em manhãs de noites mal dormidas
Com um cheiro amargo de intrigas mal acordadas
Da razão procuro esconder meus lábios dos teus...

Em tolas cismas do olhar em troca de um novo olhar
Fechei meus olhos e deixei da chuva correr a lágrima
Sentida em meus sentidos de estar perdendo o sentido
A voz rouca provoca graça sem ter o gracejo do dia...

Em cortinas fechadas da janela sem o sol de sorrisos
Não sei da luz evitar do riso na perda não esperada
Faço da falta de ar na ausência da brisa nascer soluços
Virando de bruços no travesseiro molhado e abafado...

Escondo do toque não tocar a promessa de sempre dividir
Em mãos quentes o frio da distância pulsa calafrios
Na cumplicidade de nossos corpos vestidos em tremores
Cobertos no edredom azul sem aquecer de desejos...

Imploro dos passos compassados no silêncio do quarto
Ouço do juízo a pregação da nossa falta de juízo
Na imprevista noite maldita de ditas premonições
Vejo da presença bendita no sorriso da Benedita:

- Bom dia, crianças!
- Cruzes, que caras!
- Parecem dois pardaizinhos caídos do ninho!
- Eu bem que avisei para não saírem!
- O tempo estava fechado para baladas...
- Agora, vão ter que ficar na caminha!
- Pena que juntos e separados.
- Sua alma, sua palma!
- Mas, não se preocupem...
- Sei de uma simpatia infalível!
- Não me olhem como bruxa!
- Tenho uma poção mágica para curar gripe.
- É claro que preciso de muita reza.
- Primeiro, vamos abrir as janelas e colher um sorriso!
- Agora, vamos sentir do ar trazer vida nova.
- Isso, respirem e inspirem do corpo a reação.
- Muito bem!
- Enquanto vocês vão tomar banho morno.
- Eu vou lá embaixo pegar a chaleira...

Da água morna lavando teu corpo com minhas mãos
Presas no conter das carícias o visível tesão incontido
No espirro rouco ouço da porta o sinal de alarme
Da bendita Benedita de chaleira na mão:

- Posso entrar?
- Já terminaram de tomar o banhinho?
-Hummmmmm!
- Viram! Nada melhor do que água morna para levantar os ânimos!
- Agora, deixando tanto ânimo de lado, vamos curar o desânimo?
- Precisamos aproveitar enquanto a água está fervente!
- Vou preparar uma boa inalação e um chá de Hortelã Pimenta.
- Isso! Relaxem e tratem de fazer os procedimento corretos.
- Sem risos!
- Tomem todo o chá com os comprimidos
- Agora, vamos voltar para a caminha...
- Parem com a sacanagem!
- Ou vou ter de lembrar o que rima com o doril...
- É... Pelo sim e pelo não, acho melhor fechar as janelas!
- Parece que o clima está mudando...
- Ui! Senti um calafrio!
- Vou colocar mais água no fogo.
- Fiquem embaixo do edredom e tratem ficar quietinhos!
- Em pouco tempo volto para ver a temperatura...

Do edredom em meus pés teus pés fazem caminhos nossos
Esquecidos do tempo e da temperatura subindo e descendo
Minhas mãos e tuas mãos reverenciam da magia o encanto
Do dividir em nossos lábios o gostinho da Hortelã Pimenta!

E a bendita Benedita?
Coitada, pegou a gripe!
Está na caminha, junto com o Zécão!!!!!!!!!!

Ramoore
 

 

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