No Amanhã de Manhã

 

 

Enquanto subia as escadas, ouvi do quarto

O som de Bethânia, senti do arrepio

Correndo em sentido inverso ao verso,

E devagar sem um pio, abri a porta;

 

Meu menino dormia em quatro braços,

Sem sentir do embaraço, deixei os olhos

Olhando do abraço morno e adormecido

No cheiro de amor nascendo em carinho

 

Fiquei por momento da enternecida visão

Com uma lágrima teimosa em felicidade,

Sorrindo para minha alma, vi da ilusão

Na realidade de corpos iguais na verdade

 

Bem devagarinho em nuvens coloridas,

Fazendo bandeira do arco-íris, da Ísis

Lembrei da íris brilhando da lágrima,

E, guardei no colo quente do silêncio...

 

Descendo a escada, sem esconder dos pés

Os caminhos escolhidos na liberdade de ter

Direitos iguais na diferença de crer na fé

De dois corpos em duas cores não escolhidas,

 

Do café com leite, adoçado no mel do açúcar

Das manhãs do desjejum do meu menino,

Corri na bandeja a ajeitar em louça do dia

Que teima no sol fazer do corpo, o despertar

 

Para o desejo saciado banhar em novos beijos

Da cumplicidade, pensei no café reforçado

E lembrei da fritura de forno, sobras do ontem

Em fatias cortei do presunto, maçãs e queijos

 

Lembrando do abraço, quatro braços e ternura,

Achei melhor dos dois, colocar quatro ovos...

Batendo primeiros às claras, sem esconder

Do riso, a coincidência vista nua e pura...

 

Adicionando ao quase suspiro, as gemas

Dos quatro ovos, fui batendo e lembrando

Do tempero quente nas cores do quarto,

Untei com manteiga o pirex colorido

 

No azul de meus devaneios, faltou o sal

Para dar no ponto a vontade de repetir

Em suores meus, sentia do peito o sinal

Conhecido do dengo sempre procurado

 

Em fatias generosas, fui colocando no pirex,

Um pouco dos ovos batidos, formando camada

Para juntar o presunto, a maçã e o queijo

Depois juntei o resto dos ovos batidos

 

Usando do queijo ralado e orégano por cima

Da fritura de forno, ao forno quente levei

Por vinte minutos, não esquecendo de olhar

Aos quinze para garantir do ponto certo

 

De a fome saciar. Tudo pronto! Esqueci da bandeja,

E resolvi a mesa arranjar para agradar a dois,

Com tudo que os amantes querem para o depois

De estarem a sós, sentirem da essência nascida

 

De minha ciência, participando sem ver dos olhos

Abertos ao mundo liberto nas formas de amar,

Lembro da lágrima no colo deixada cair em carinho

No papel do pão da manhã, deixo meu até amanhã

 

Ao meu menino, que dividi o saber de sua verdade

Sentindo do logo meu colo procurar para tudo, ou nada

Que faça diferente a compreensão nossa e tão bendita

Na arte da entrega do coração sem medo de criar ilusão,

 

Um beijo da Benedita

 

Ramoore

 

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