Pão Sírio

 




Deixo do desejo vir fluindo, sem a pressa do chegar
Encontro de tuas mãos, fazendo caminhos venturosos
Percorro da busca no prazer, em cada nova descoberta
Sentindo de nossos corpos a enseada de nosso gozo...

Na mistura de nossas águas, em nossos lábios úmidos
Fica o gostinho único da sede do te quero mais e mais
E mais ainda o calor dividido, soma de nossa paixão
Traz aos dias da ausência, o frio contido e esquecido!

Abro de alma limpa, aos desvarios de puros amantes
Ultrapassando fronteiras limitadas aos incrédulos
Do respeito mútuo, em dois seres que se deixam nus
E nu, faço em tua pele nua, contornos de retorno...

No desenho colorido de nossa troca, em troca do toque
Ao melindre sem melindres do não, provocamos o riso
Rindo da lágrima do desencontro, risco com carinhos
O risco do amor permitir marcas visíveis no amar!

Ouço do coração bater, apressado, puxo dos lençóis
Cubro em parte nossas partes, ainda cheirando cio
Do brio nosso nasce surpresa ao ato testemunhado,
Entre crer ou não crer da presença ser bendita...

Com cara de santa, e ares de desculpe entrar sem bater!
Na porta parada, e de bandeja na mão.
Quem?
A bendita Benedita:

- Oi, meus amores!
- Eu estava terminando o lanchinho...
- E como vocês não desciam...
- Pensei...
- E do silêncio de meus pensamentos, lembrei de um pensamento!
- E como do silêncio, alguma coisa irradia.
- Liguei o rádio!
- E o silêncio continuou...
- Achei que tinha alguma coisa errada.
- Aí, eu resolvi trazer o lanchinho!
- Nossa! Que lindo!
- Parece bunda de anjo!
- Não, não precisam ficar preocupados...
- Eu estou falando da pele do rosto.
- O resto está bem escondido.
- É, faz um bem danado, não é?
- Olhem, vou deixar a bandeja na mesinha...


Olhando de lado e tropeçando em passos desconcertados
A bendita Benedita fazendo falsa reverência na referência
Sem esconder da cumplicidade, vai saindo devagarinho
Deixando no ar a certeza do não vou contar pra ninguém...

Entre o calor do ventre sem o véu esconder o doce meneio,
Fecho os olhos no colo macio, na melodia sigo o compasso
Em notas divinais, em acordes do acordo entre o sol e lua
Deixamos aos lábios, nascerem sussurros tão e só nossos!

Pisando no chão a certeza do amanhã, em mãos dadas ao futuro
No traço de nossos dias, nas linhas feitas de juras noturnas
Ouço do rádio prevendo dias de sol, abro as janelas da esperança
E juntos descemos a escada, carregando a bandeja vazia...

Na cozinha, o calor do sorriso esperado na malícia bendita
Da bendita Benedita sovando nova massa do pão sírio:

- Oi, crianças...
- Tinha certeza de que iriam repetir!
- Bem! Enquanto vocês descobriam da arte, fazendo arte!
- Eu resolvi fazer uma nova massa.
- Olhem, sintam a textura!
- Melhor, impossíve!
- Só se for amassada pelas mãos do Olivier.
- Aiii!!!
- Fico arrepiada, toda molhadinha...
- Veja coloque a mão na minha nuca.
- Acho que a pressão subiu!
- Hum! Vejo que a bandeja voltou vazia...
- Sabem, ontem eu estava conversando com a Sâmia.
- E aproveitei para pegar umas dicas de uma boa massa.
- Ela, com o sorriso e olhos brilhantes, disse que eu assistisse o Olivier.
- Crianças, quando o pedaço de mau caminho começou a dizer dos ingredientes.
- Confesso, que não via a hora de botar a mão na massa.
- Passei na Padaria do Nagib e comprei o Pizza Certa Fleischmann.
- Olhe, meu dengo, coloquei na caderneta.
- Você sabia que a Rosa é a nova gerente da Padaria?
- Agora chega de conversa fiada.
- Parem de beliscar o recheio.
- Não vejo graça nenhuma...
- Quando eu falei de beliscar, foi beliscar a massa.
- Pronto!
- Agora é só aquecer o forno no ponto certo.
- E seguir as instruções do Olivier.
- Crianças, o tempo voou, preciso sair.
- Fiquei de encontrar o Zécão.
- Olhe deixei a receita anotada.
- Está na primeira gaveta do guarda-louça.
- Não esqueçam de passar para a Crys.


Depois do segundo lanchinho, e sentir do enfim sós
Voltamos a provocar da ausência, nossa presença...
Ah! Quanto à receita,
O principal é colocar a mão na massa...

Ramoore


Receita

 


Pão Sírio

10 pães
40 minutos

Ingredientes:

• 1 kg de farinha de trigo
• 1 pacote de Pizza Certa Fleischmann
• 20 g de sal
• 30 g de fermento seco ou úmido
• 600 ml de água gelada
• farinha de trigo para polvilhar
Prepare assim:

• Em uma panela, coloque a farinha, o Pizza Certa Fleischmann e o sal e misture bem;
• Esfarele o fermento com as mãos, jogando-o por cima da mistura;
• Junte a água e amasse bem;
• Ainda dentro da panela, amasse tudo até que fique com consistência homogênea;
• Retire a massa, passe-a para a mesa e sove-a bem;
• Puxe e belisque a massa diversas vezes;
• Cubra-a e depois deixe descansar;
• Pré-aqueça o forno em temperatura bem alta (cerca de 300° C);
• Polvilhe a mesa com farinha;
• Corte um pedaço da massa e abra-o com o rolo até que fique um disco fino e redondo;
• Coloque-o para assar em cima de uma pedra refratária por cerca de cinco minutos.
Se quiser fazer uma mini-pizza, acrescente molho de tomate e o recheio à sua escolha.

Olivier Anquier

 

Para acompanhar passo a passo a receita

Acesse:

Programa do Olivier



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