O Peru do Luisão

 

 

Todos os anos, a eterna preocupação com a Ceia de Natal,

O peru não pode faltar em mesa que anuncia a vaca gorda,

Em promessas de que tudo será festa na vitória contra o mal

Dos dias magros da paleta feita bife enrolado e cebola fatiada

 

Em rodelas transparentes da economia, segue a rotina em fato

Do poupa aqui para comer ali na mesa posta em tal cerimônia

Requintada com enfeites sempre vermelhos, a lembrar do extrato

Tirado com a ajuda do pano junto ao portal, o vinho se esvazia

 

Provocando riso com cheiro de álcool, trazendo da apatia a tia

Morta em seus devaneios do tempo de menina na velha morada

Quando para matar o peru, provava da pinga guardada sob a pia

Improvisada em eternos tijolos sem cor, iguais ao piso de entrada

 

Da porta aberta aos pés descalços dos criados em mãos a pedir

Do prato feito na cozinha, com arroz, feijão e muita farofa solta

Escondendo dos olhos o miúdo rejeitado da mesa posta a servir

No linho enfeitado o prato de porcelana, cheio entre idas e voltas

 

Das mucamas alforriadas pelo tempo de casa cheia de convidados

Vindos pela porta da frente, pisando no piso importado e encerado

No brilho das lágrimas derramadas no velho tronco. Como endividado

De meu delírio, acordei do pesadelo e desci a escada olhando parado,

 

Vi da alegria a bendita Benedita, chegando das compras da manhã

Sem sol e com muita neblina, o sorriso estampado dizia da loteria

Premiada, vinda do suor e do prazer da subida na ladeira da padaria

A bendita Benedita ria com o prazer da sorte feita recompensa de afã

 

Eu, confesso, estava com a cara amassada dos braços feito travesseiro

Emprestado do colo dividido sem muito escolher do lado preferido,

Preterido em troca do doce perfume sentido nu e em seu corpo inteiro

Conhecido sem segredos, sem falsos meneios e há muito pretendido

 

Deixei de lado o copo de café com leite e voltei ao riso da Benedita

Contagiado pelos olhos brilhando de contente, voltei a sentir gente

Dentro do peito sem lágrimas, esqueci do banzo em teima desdita

Sempre dos finais de ano presente em formas de idéias diferentes

 

Fazendo suspense a bendita Benedita  ensaia tirar dos fartos seios

O bilhete premiado no sorteio de final de ano promovido pelo Luisão,

Tocando a campainha da porta deixo a Benedita em seus meneios

De dama do lotação, olhando pelo olho mágico vejo a cara do Zécão!

 

O peru do Luisão! Ganhei o peru do Luisão! Falava alto a Benedita,

Eu sem disfarçar do riso incontido com a cara de espanto do Zécão

Que alisando a carapinha junto à testa, sentia da traição confessa e dita

Em alto e bom som junto ao requebro que era só seu. E agora do Luisão!

 

Em clima de tensão da missa pega pela metade, eu me senti um pecador

Ao colaborar para a compra do bilhete premiado com o bendito do peru!

Sentindo da competência posta à prova com imagem de corno em dor

Provada com a euforia da pretendida a falar do ganho do famoso peru!!!

 

O Zécão sem ação, mas querendo fazer reação dos braços inertes e vazios,

Junto ao sorriso traído com a mão conferindo da posse sempre dividida

No calor dos suores trocados, deixa dos ombros o desânimo abater do estio

Em tempo marcado de lembranças dos dengos prometidos por toda vida

 

Bendita no colo farto da Benedita, que sentindo do fora dado e mal entendido

No riso eufórico pelo peru do Luisão, tratou de se chegar junto ao seu Zécão

Das mãos quentes e ardentes nos caminhos do despertar com jeitinho a libido

Cortês da cortesã escrava de um dono só, único a conhecer de seu coração

 

Batendo sempre no passo certo das juras trocadas na rua em dias de feira

Livre do mal entendido, o Zécão de riso solto na já desfeita atrapalhada

Em promessas de juntos para sempre, esquecem até de eu estar de beira

No resgate de um carinho apreciado e sentado junto ao degrau da escada

 

Senti de seu perfume do banho tomado, olhei meio de lado ao seu sorriso

De indagação do acontecido não compreendido por quem olha para mim

Com um gostinho zombeteiro de não estamos sós! Fugindo ao improviso

De ter de explicar tudo na presença de dois em um, a saída foi criar o fim.

 

E juntos, cantando da ocasião, fomos pegar o peru do Luisão!

 

 Ramoore

 

E para quem não comprou da rifa:

 

Uma dica do VITRINE/RECEITAS

 

I.Prato Principal:  Peru de Festa.

1 peru
2 copos de vinho branco seco
1 maço de cheiro verde misto
manjerona
tomilho
200g de cebola
5 dentes de alho
1 pitada de pimenta malagueta
Sal a gosto (cuidar pois o peru já vem temperado)
Modo de preparo:
1.Descongelar o peru dentro

da geladeira na parte baixa de um dia para o outro.
2.Bater todos ingredientes no liquidificar

e despejar sobre o peru ;
3.Deixar marinar por aproximadamente 6h.
4.Untar c/ margarina light
5.Enrolar em papel alumínio

acondicionando o molho sem que ele vaze na forma;
6.Levar ao forno baixo por aproximadamente, 1:30hs,

abrindo o alumínio e regando c/ o molho a cada 30 min.
7.Abrir o alumínio e deixar dourar,
8.Decorar a gosto e servir.

 

 

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