Quebra-queixo



 

Parado em meio ao saguão lotado de esperas
Fico em vôo solo dando asas à imaginação
Da ponte imaginária volto ao tempo no tempo
De dar as mãos o sentido de fazer carinhos

Sem criar embaraços e sem fita ao fazer o laço
Lembro do enlace de nossos olhares mudos
Em lábios que tocam do prazer em trazer prazer
Na pele tocada com a sutileza de saber dos desejos

Deixo dos devaneios partirem sem pressa de chegar
Fazendo da saudade a nostalgia dos dias passados
Tropeço em pés pisando o mesmo espaço rolante
Enrolado e enrolando o bilhete em mãos frias

Procuro do sorriso falso encontrar da esperança
Na hora marcada para o final da suposta crise
Em mãos do poder partir sem chegar ao destino
O desatino pátrio em outras mãos faz gracejos

E no riso de relaxar e gozar igual descamisado
Em camisa de força sem forças do direito de ir e vir
Vejo da elite pegando beira em beira de estrada
No caos formado de trilhas sem encruzilhadas

Na cruz-do-acontecido a escuridão marca do fato
Crendo no credo sem evitar criar raízes no recreio
De dar as mãos à forma fechada do desafeto na fé
Do matracar confesso no fato em ato inconfesso

Divago no espaço vago na procura de vaga livre
Livro de meus instintos caminharem sem distinção
Na deriva da espera na corrente sem ter o ar da graça
Vejo sem graça o tempo brincar de conformação

Na escolha sem escolhas do desamparo amparo e paro
Olho do olhar sem festa pedindo festa no abraço
Aperto nos braços o colo farto da bendita Benedita
Que gingando o corpo e rodando a baiana, desabafa:

- Meu dengo! Maldita hora de ganhar uma rifa!
- Nós viríamos de ônibus!
- Já estávamos de passagem comprada!
- Iríamos chegar ontem de manhã.
- Quando o Zécão veio com a notícia da rifa.
- Disse que nunca tinha viajado de avião.
- E que tinha ido passear no aeroporto de Salvador.
- Menino, imagine que estavam rifando passagem de avião.
- Diziam que era para ajudar um tal de Fundos Alados.
- E o Zécão comprou dois números.
- Não é que o azarado ganhou!
- Meu dengo, fiquei sem acreditar..
- Até que na hora de embarcar, começou o fuzuê.
- Primeiro, tinha de fazer o check in.
- Eu nem sabia o que era isso.
- Achei que era.... Deixa pra lá!
- Ficamos cinco horas na fila.
- Depois foi um tal de ir de um portão de embarque para outro.
- Acabamos dormindo no saguão.
- Era um acampamento dos sem nada.
- Sem nada de informação.
- Sem nada de nada merecer.
- Até que sem nada esclarecer.
- Fomos gentilmente convidados a embarcar.
- Depois de acamparmos por dois dias no mármore frio.
- Enfim um banco macio e com direitos ao serviço de bordo!
- Meu dengo, eu fiz o pelo-sinal e fechei os olhos.
- De vem em quando dava uma olhada no Zécão.
- O danado não tirava os olhos da aeromoça.
- Olhe, eu ia trazer tanta coisa no ônibus!
- Mas, com essa maldita rifa, até a bagagem ficou perdida.
- A companhia disse que vai achar.
- Foi parar lá em Belém do Pará!
- Acho que vou pedir para o Alberto Cohen dar uma procurada.
- Ainda bem que você veio nos buscar!
- Estou louca para chegar em casa.
- Vamos...
- Não! Pela escada rolante nem pensar!
- Foi numa esteira rolante que minha bagagem rolou.
- E nada como sentir o chão firme.
- Sabe! Dá vontade de comer quebra-queixo!
- No caminho de casa, dá uma paradinha na banca da Sarah.
- O quebra-queixo dela, é para ninguém botar defeito!

Depois de ouvir o desabafo da bendita Benedita....

Eu fico associando o prazer de comer quebra-queixo
Ao degustar infortunado do Poder nos quebra-sonhos
E no bater de palmas em palmas plantadas no chão
Da espera de em vôo seguro voar aos braços que esperam

Da receita certa no compreender e respeitar de nossos direitos
É como saber usar dos ingredientes usados no prato a ser feito
Sem deixar da escolha fazer excluído quem prepara a massa
Com mãos que sabem o ponto certo de causar o prazer.

Agora, para você que tem queixo e telhado de vidro!
Um conselho, não experimente comer quebra-queixo!
Continue a comer frutos do mar!
O quebra-queixo é para quem que tem o queixo firme!
Levanta a cabeça e enxerga você de queixo caído!

Quanto a receita, felizmente, estava na bagagem de mão
E a Benedita conferiu com a Sarah...

Ramoore




Receita do Quebra-queixo

 



Ingredientes



2 quilos de côco fresco ralado grosso
2 e 1/2 quilos de açúcar cristal
1 colher (sopa) de ácido cítrico* ou 1/2 copo americano de suco de limão
1/2 litro de água

Modo de Fazer

Em uma panela grande caramele 500 g de açúcar.

Quando estiver dourado, acrescente a água aos poucos para não açucarar,

o ácido cítrico ou o suco de limão e deixe ferver até formar uma calda.

Junte agora o restante do açúcar e o côco ralado.

Mexa no sentido de vai-e-vem,

até obter um composto dourado e a calda ficar em ponto de fio forte

(teste pegando um pouco da calda entre os dedos.

Abra os dedos, se formar um fio resistente, está no ponto).

Espere 10 minutos sem mexer

e transfira o Quebra-Queixo para um tabuleiro untado com manteiga.

Espere esfriar e sirva cortado em pedaços

Nota: *O ácido cítrico é encontrado facilmente em farmácias que vendem produtos naturais.


Receita do Site da Selma Brandão




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