COMPREENSÃO
 
 
 
Imitando a vida, sigo devagar, sem pressa,
passo a passo,
analisando a fé
Em demonstrações diversas,
sempre imitadas em dogmas do cotidiano
De outras vidas limitadas,
que renovam promessas a cada dia, cada ano
Que finda com o não cumprimento dos dias passados,
esquecidos até
Comemoram dos últimos momentos 
marcados pelos ares novos de júbilo,
E entusiasmo não contidos,
quando em correntes humanas e inconscientes
De mãos que nunca se tocam,
nunca se encontraram
e em um instante
Tornam-se importantes e vitoriosas 
fontes de crenças a cada capítulo
Sem sacerdotes secretos,
ou formandos da conveniência na vida melhor
Cada um dita ao vento,
palavras em verbos reinventados e profanos
Aos olhos dos outros dogmas impostos,
declamados na elite dos insanos
E crédulos ecléticos,
mestres na arte da catequese que salva do pior
Em gritos,
blasfêmias e cânticos de louvor,
agora em ritmo de samba,
Não esquecendo de elevar os braços, 
em confraternização histérica
Que contida ao som de um microfone,
traz a palavra final e profética
E de mão em mão,
ou de dez em dez,
chega a vez de encher a caçamba
As vezes penso,
seria melhor não participar,
correr,
voltar ao princípio
Novamente renascer,
aprender a ler,
saber andar,
ouvir,
ver e falar
Sentir da intuição,
Descobrir
e procurar da vida,
ter em prazeres e amar
Degrau por degrau,
ir pela escada,
encarando sem medo,
o precipício.
Olhar para o infinito,
partir em viagem sem volta, 
sentir dentro do peito
Sem opressões, tormentas provocadas,
rancores sentidos e mil dúvidas
Deixar em doce bálsamo, a verdade se fazer forte,
Com, ou sem dívidas
Crescendo cada vez mais,
dissipando mágoas,
fazendo correto o feito
Firmando a cada patamar,
pisando com firmeza 
no imaculado branco puro
Dos sonhos passados,
sem importar com o triste amarelo em outros dias
Esquecidos na solidão das almas derrotadas,
nuas,
incolores e vazias,
Buscando na certeza do amanhã,
o encontro previsto e marcado no escuro
Enxergando da vida,
o verdadeiro viver,
o sentido real,
sem clarividência
Confiando no ego maior, conhecendo o caminho,
sem fazer de atalhos,
O sócio,
o crente batizado no mesmo credo,
que agora em frangalhos,
Afirma ser o dono da verdade,
ditando em sã e pregressa consciência
Procurando ser convincente,
manipulando o nada,
ao estimular neurônios
Em repetidas afirmações,
do sempre sonhado e prometido lugar no céu
Para corpos bem cuidados,
bem vestidos e para mentes entregues ao léu
Que em compasso ritmado de almas irmãs,
fazem procissão de gentios
Paro, olho, penso,
creio ser melhor aguardar 
a mudança da lua, ou da maré
Olvidando do mar o primórdio,
quero e busco o sim real da continuidade
Procurando em cada onda,
afirmando,
contando do tempo,
a idade
Imitando a vida, sigo devagar, 
sem pressa, 
passo a passo,
analisando a fé.

 

 

Ramoore

 

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