Dizer de amores passados
 
 
É como analisar o espaço, divagar nos pensamentos, 
buscar o passado
Sentindo em cada instante provocado,
a respiração descansar da fuga
Fazendo o peito bater mais forte, 
repetindo suave e breve cantiga
Em notas conhecidas, que firmam em sonhos,
mesmo estando acordado
Trazem sorrisos, lágrimas em carinhos de ontem,
teimam, fazem parte
Do colo, do abraço sempre com a alma estreita 
em laços verdadeiros
Nascidos da comunhão,
da cumplicidade de dois eternos companheiros
Andando juntos, em trilhas fantasiosas 
sem riscos, 
ou juras de combate
Escondendo no Cavalo de Tróia,
afagos em dengos sentidos em doce tato
De pele única, cheirando ainda ao amor de ontem,
falando em carícias
De boca a boca, mãos em mãos que analisam,
sentem todas as minúcias
Não desconhecidas, mas que quando provocadas
 se fazem em arte,no ato
Deixando no ar, realidades nossas, 
anseios de igualdades em promessas
Sem dedos cruzados, ou pernas trocadas,
tirando do chão, sem meias, os pés
Em giro , girando a cabeça, 
os pensamentos atropelados fazem em viés
Suspiros de prazeres incontidos,
que em sentido contrário das fumaças
Em espirais, lembram sinais de alerta,
fazem apagar o cigarro em cinzas
Calçar os chinelos, pegar a escova de dente 
e chegar primeiro ao banheiro
Em banho de dois, a conversa é mais gostosa,
não existe pudor, nem olheiro
E, realmente, uma mão lava a do outro, 
dividindo o sabonete, sem divisas
Sem comandos, obedecendo ao comum,
 presença constante em nossos dias
Sem cartas marcadas,
idealizando no riso aberto,
corações em ascensão
Crescendo a cada pulsar, 
deleitando ilusões nossas,
somando em sim e não
Partilhando os mesmos lençóis,
sem as marcas incolores de nostalgias,
Eternizando no verde de nossos anseios,
evitando o naufrágio da lua
Que na minguante,
faz cicatrizes em feridas inconscientes,
sem dores
Guardando no silêncio do sono fingido, 
a fuga necessária dos amores
Encontrando a paz em unidade, 
volto ao presente, 
deixo a alma  nua.
 

Ramoore

 

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