Lenha na fogueira...



Eu quero apito, se não der!
Não faz mal, eu não sei apitar!
Sinto do som tocado a três mãos, a cacofonia gentil e matreira
Do céu anilado em anéis ímpares nos dedos que ficaram
Conto do valor estimado em real desamor pátrio
Na transparência do tom róseo de um ícone rejeitado
Vejo do ar fresco a brisa fresca envolver a passarela
Fazendo do leque parte lisonjeira no prostíbulo
Em passos sem medir das palavras levo o refrão
Sem eira nem beira na bandeira adestrada
Visto o cabresto em posse de pose assumida
Olho do rímel meus olhos junto ao paramento
Sacramentando novos dias em falso juramento
Do modelo eu juro vou criar modelitos...

Eu quero apito, se não der!
Não faz mal, eu toco piano!
Sinto do som tocado a três mãos, a sinfonia perfeita e conhecida
Do tapete importado piso com pés em salto alto
Do alto de meus anéis toco o azul e troco dando o troco
Ao gentil e matreiro desamor pátrio em real concubinato
Renovo meus juros e perjuras do amor-próprio
Prometo de minhas impropriedades apiedar-me
Dos passos passados conheço do não evitar
Compactuo no pacto eterno de vivaldino
Conhecendo da eira a beira da bandeira
Não uso leque em mãos fechadas
Seguro do ar da graça fazendo troça da posse
Possuindo da pose a carta marcada
Sacramento do jejum novo juramento
Do modelo eu juro que já conheço...

E eu?
Que não tenho apito!
Não toco piano!
E não sei da bandeira!
Confesso e professo do inferno o fogo na fogueira.
Ah! Mas um dia eu vou tocar harpa!
Fazer um elegia floreada!
Eleger do eleito em berço esplêndido!
Não deixar os cloques-cloques das tamancas ousarem da rampa!
Tirar do malufo o bordão açucarado!
E beber muito, dançando em volta da fogueira...


 

Ramoore

 

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