TROCANDO LETRAS


Brincando de esconde-esconde, ou de pega-pega,
os dias se multiplicavam em travessuras
Não exigindo obrigações,
mas com deveres a cumprir,
em realidades infantis, tudo era festa
Com mil formas no pensamento,
dando vida a imaginação, fazendo castelos sem mesuras
Sentando para o café, o almoço e o jantar,
sentindo o toque harmonioso do beijo na testa
Andando e chutando latas,
em trilhas conhecidas do dia a dia
no cheiro suave do amanhã
Assobiava uma canção,
não esquecendo de atirar pedras no gato
e correr atrás do passarinho
Voando junto,
criando asas no céu sem limites de olhares curiosos,
sem compreender da maçã
Sonhava com Mariinha,
não era pecado, o coração batia forte,
perdia a voz, saía do caminho
Olhando com olhares de fechaduras,
descobrindo diferenças,
não era só o coração que batia forte
E tocando a campainha fazia recreio sem correr,
ou esconder no vermelho da face,
o beijo roubado
Cem vezes contado,
com zero em tabuada de multiplicar,
trazia na ponta da língua o verso da sorte
Dividindo entre o malmequer e o bem-me-quer,
em linhas mal traçadas,
aprendi a sentir do pecado
Fugindo das brincadeiras sem dar as mãos,
nem beijo roubar,
procuro em pensamentos do ontem
Criar ilusões,
em descompasso controlado o coração teima em bater,
marcando no hoje,
a lembrança
Adornada em novos e velhos atalhos,
já sem beijo na testa,
a harmonia renasce em nova paisagem
Escondendo na alma branca,
desejos e anseios,
olvidando a realidade,
o adulto sonha
ser criança.


 

Ramoore

 

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