Orgia na minguante da lua


Sem procurar criar divisas, entro em becos escuros
Cansado de olhar para o branco minguante da lua
De meus dias úmidos, preso a suores frios e impuros
Como marcas doloridas, em meio ao calor da pele nua


Não enxergo formas sinuosas, não importa das cores,
Ou do aroma desconhecido, não sei sequer seu nome
Foram, apenas, momentos de tesão em meio a rumores,
Ou sussurros de falsos amantes saciando a tal da fome


Na troca de corpos e sem ligar para a sede da alma
Já nem sei quantas pernas passando de mão em mão
Sinto um pulsar acelerado que acelerando traz a calma
Entre o cheiro forte do sexo barato e do gozo no chão


Apagando do cigarro a brasa, seguro do peito o grito
Em cio do ciclo lunático que atormenta e traz prazer,
Provoco novamente o corpo e logo sinto que me agito,
Hoje é dia de orgia na minguante, não vou me arrepender.

 

Ramoore

 

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